sexta-feira, 8 de julho de 2011

E o Ministério dos Transportes, hein!

Há alguma coisa a comentar a propósito da saída do senador (de novo) Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes? E sobre sua relação com o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto?
Costa Neto foi apontado como eminência parda do ministério. Ele já presidiu o extinto PL (atual PR), além de ter saído da Câmara de Deputados sob uma chuva de acusações de corrupção, num frustrado confronto com o "tagarela" Roberto Jefferson (PTB-RJ). Este foi deputado federal cassado após escândalo nos Correios, quando cunhou o termo "mensalão", em 2005, para definir o esquema de corrupção em que o PT comandaria uma farra de propinas a políticos que recebiam mesada para não atrapalhar o governo Lula.
Há tempo que o governador do Ceará, Cid Gomes, vinha anunciando os atributos de Alfredo Nascimento à frente do MinT. Agora, as coisas aparecem mais. Então, nem é preciso falar muito, não é?

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cristãos egípcios temem aumento da intolerância

No Egito posterior à revolução popular que derrubou o governo de Hosni Mubarak, em fevereiro, último, os cerca de 10 por cento de cristãos receiam o crescimento da intolerância contra suas comunidades, conforme observou David Kirkpatrick, do The New York Times.

As tensões entre muçulmanos e coptas vêm aumentando e cresce o risco para todos os cristãos no país, até recentemente uma região razoavelmente tolerante se comparado a outros países da região. Preocupa tanto a religiosos quanto à comunidade internacional que as forças emergentes no Egito transformem o país em uma república islâmica.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Acorda, Cabral!

O governador Sérgio Cabral parece não estar em seu juízo perfeito. E o discurso de um deputado na Assembléia Legislativa fluminense pode ter dado a senha do problema de fundo que atormenta o chefe do Executivo estadual (Alerj, 19/05/2011). Algo a ver com armário, se não me engano.
Cabral, por suas próprias declarações, está em rota de colisão com evangélicos e servidores estaduais ao mesmo tempo. - Acorda, Cabral! Não dá para ganhar essa. Evangélicos são gente de oração e "a oração muito pode" (Tiago 5.16); servidores são fundamentais para futuras pretensões políticas.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

ALIANÇA EVANGÉLICA AFIRMA HETEROSSEXUALIDADE

Manifesto de afirmação da heterossexualidade

Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Que o Brasil ouça a voz de Deus

A Aliança Cristã Evangélica Brasileira, marcada pelo sentimento de irmandade com todo o povo de Deus espalhado e enraizado neste país, expressa uma vez mais o seu propósito de seguir a Jesus Cristo e afirma o seu compromisso com a Palavra de Deus, que é orientação vital para toda a nossa vida, seja pessoal ou coletiva.

No encontro com a voz de Deus, expressa em sua Palavra, nos sabemos amados e criados por Deus. Não importa quem sejamos e o nome que carregamos, todos viemos ao mundo como fruto desse amor de Deus que é o Senhor de toda a criação e a nós, seres humanos, criou como homens e mulheres.

No decorrer da sua história a igreja de Jesus Cristo tem afirmado esse Deus amoroso e criador e a nossa própria existência humana, como homem e mulher, como fruto dele. Assim como ontem, a igreja faz esta mesma afirmação hoje, incluindo nela a realidade da heterossexualidade. É esta a razão pela qual nos manifestamos contrários à prática homossexual e à sua legitimização e afirmação em nossa sociedade.

Estamos conscientes de que muitas vezes, ontem e hoje, não temos sabido viver adequadamente segundo a marca do amor e da vontade de Deus. Assim agindo, nosso testemunho acerca de um Deus de amor e criador fica comprometido pela nossa própria desobediência, injustiças e idolatrias. Neste processo, no entanto, também descobrimos que Deus, em sua graça, nos permite reconhecer nossos descaminhos e reconstruir nossas vidas. É assim que olhamos para a prática da homossexualidade: um descaminho a ser reconstruído pelo Deus criador, na consciência de que, quando buscado, Deus é encontrado como um Deus de graça.

Estamos conscientes de que há outras práticas que negam o amor de Deus, entristecem o seu coração e desestruturam a nossa vida pessoal e coletiva. Cada uma dessas práticas deve ser reconhecida e caminhos de mudança devem ser buscados. Mas hoje o nosso enfoque está na prática da homossexualidade e na tentativa da sua legitimização e até imposição a toda uma nação. Nós, como igreja de Jesus Cristo, precisamos nos opor a esta proposta e afirmar a heterossexualidade como a expressão saudável que conduz à construção de uma sociedade de harmonia e bom exercício de cidadania, sob a marca do amor criador e da graça renovadora de Deus. Precisamos também nos manifestar radicalmente contrários a qualquer tentativa de cercear a liberdade de expressarmos, tanto privada como publicamente, aquilo que entendemos ser a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para nós, para as nossas famílias e para a nossa sociedade.

Hoje nós conclamamos a nação brasileira, como um estado laico que deve zelar pelo direito de todos, para a construção de uma sociedade que tenha a marca da justiça e do amor e que se oponha ao controle de qualquer minoria que queira patrulhar outros grupos e expressões que lhe sejam diferentes. Hoje, conclamamos a nação brasileira a que se deixe encontrar por Deus através do evangelho, no qual Jesus diz que veio trazer vida em abundância para todos e que todos encontrassem o caminho da sua prática de vida pessoal e comunitária no seguimento a ele.

Por uma nação livre e democrática!

Brasil, maio de 2011

Coordenadoria da Aliança:

Christian Gills

José Carlos da Silva

Maria Luiza Targino A. Queirós (Nina)

Oswaldo Prado

Valdir Steuernagel

Wilson Costa, Cordenador Executivo

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Agência Soma questiona o "já ganhou" dos evangélicos que comemoram o banimento do Kit Gay

Ok, fim do Kit Gay. Mas e a batalha contra a corrupção, pelo meio ambiente e o fim da miséria?

Por Lenildo Medeiros


A celebrada vitória da bancada de deputados e senadores cristãos do Congresso Nacional no que diz respeito ao fim da distribuição do chamado Kit Gay pelos ministérios da Educação e da Saúde é importante e atende, de fato, ao anseio da maioria do povo brasileiro. A preocupação já vinha sendo manifestada por pais em várias frentes. Até em conversas de festas infantis (que costumo frequentar com meu filho), a maioria dos pais (mesmo aqueles que não professam qualquer religião e não frequentam qualquer igreja) faz o discurso de que é absurda esta onda gay nas arenas de poder e na mídia brasileira, especialmente a Rede Globo, querendo passar a ideia de naturalidade quanto a opção sexual por pessoas do mesmo sexo. No entanto, a batalha deve também ser motivo de outra reflexão. Nossa missão só vai até aí? Como pode a bancada cristã, que ama o Deus Criador, estar na votação do Código Florestal apenas para falar do tal kit? Mas e a questão da vida no Planeta? E o jogo de interesses posto à mesa naquela votação? Não tinha a mesma importância?
Assisti ao vivo ao momento em que os deputados foram ao microfone para falar do kit durante a votação do Código Florestal na terça-feira, 24/5. Fiquei atento, e até considerei um avanço estratégico inteligente, a força daquela união de católicos e evangélicos pela família, usando o regimento para influir e provocar a vitória parcial que veio no dia seguinte, quarta-feira, 25 (digo “parcial” porque há outras lutas decisivas neste campo da família a serem travadas ainda nos próximos meses). Mas também fiquei espantado com a omissão (na mesma intensidade) dos mesmos líderes cristãos em relação a assuntos da pauta do Congresso naquele dia.



Primeiro, a questão do cuidado com o meio ambiente. A votação do Código Florestal em curso e nenhuma palavra enfática, nenhum movimento de defesa das matas e do ecossistema brasileiros proposto, nenhum e-mail se espalhando por todas as caixas postais em tom desesperado (como tem acontecido com temas familiares e morais), nenhum abaixo assinado, passeata, encontro, reunião, nada! Como pode haver tal discussão no Congresso e os filhos do Criador se omitirem assim? Votando com a maioria, sem participação ativa, sem levar a sério o tema? A vida só deve ser defendida no âmbito das questões que afetam o lar, a família, o casamento? Mas e as vidas que se perdem na falta de água, nas tragédias naturais, na opressão, na injustiça, nos interesses escusos de latifundiários e multinacionais? Isso também não é imoral?



Segundo, a luta contra a corrupção. É inacreditável, mas uma das formas utilizadas pelas frentes cristãs unidas contra o Kit Gay foi ameaçar o governo com uma convocação ao ministro Palocci para apurar as denúncias de enriquecimento ilícito. Mas como ameaçar fazer algo que seria, de fato, uma obrigação de qualquer parlamentar? Se houve tráfico de influência ou coisa assim não é também imoral? A convocação não é obrigação ética? Até para esclarecer de uma vez por todas o assunto e inocentar ou punir, de acordo com as conclusões? Como pode deixar de convocar? Isto não é ser omisso na luta contra a corrupção? Corrupção não é tão nefasta quanto a noção de que os kits incentivam crianças ao homossexualismo?



Terceiro, a guerra contra a miséria. Nós cristãos sabemos que tem sim coisa pior que ver alguém com fome, sem casa, pisando em vala imunda, analfabeto, gritando de dor numa fila de hospital. Quem crê na Bíblia sabe que o “choro e o ranger de dentes” eterno é pior. Mas de maneira alguma isso significa um incentivo ao descaso com a dor humana nos dias de hoje, neste planeta! A luta contra a injustiça social é, sim!, tarefa da missão cristã em nossa geração. E os líderes políticos precisam ampliar sua visão do que seja defender a família, a criança, o adolescente, o idoso, o casal, o homem e a mulher. Afinal, todos precisam de alimento, água, moradia, hospital, escola, emprego e renda, saneamento básico, mobilidade urbana. E a política, tanto na esfera executiva ou parlamentar, tanto no âmbito federal, estadual ou municipal, deve prover tudo isso, no sentido mais pleno e humano de cada termo. Para além de apenas planos, estatísticas, orçamentos. Coisa séria, com legitimidade, veraz!



A reunião de católicos e evangélicos com o secretário-geral da presidência da República, Gilberto Carvalho, representando a presidenta Dilma Rousseff, aconteceu nesta quarta-feira, 25/5. Segundo deputados presentes, entre eles João Campos, presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Eros Biondini, representando a Frente Parlamentar Católica, Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, e Pastor Lucena, da Frente Parlamentar da Família, nela foi assegurado o fim da distribuição de qualquer cartilha antiga ou vídeo pelos ministérios da Saúde ou Educação contendo cenas de sexo explícito ou estímulo a opção sexual diferenciada, e foi anunciado o compromisso de que nenhum vídeo ou nova cartilha seria confeccionada sem a participação de representantes das bancadas católica e evangélica. Que chegue rápido o dia em que tais frentes pela família incluam em suas agendas de lutas a defesa (tão veemente quanto nas questões familiares) das florestas e dos rios, da ética na política e do fim da miséria e da injustiça social.

Fonte: agenciasoma.org.br

Dilma suspende "kit anti-homofobia" para escolas

Religiosos pressionam e Dilma suspende "kit anti-homofobia" para escolas


Brasília, 25 mai (EFE).- A presidente Dilma Rousseff determinou nesta quarta-feira a suspensão da elaboração do "kit anti-homofobia", um material sobre a homossexualidade e o combate à homofobia que seria distribuído em escolas públicas e havia gerado protestos de grupos religiosos.

A polêmica sobre esse material cresceu nos últimos dias, sobretudo depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu que a união civil entre duas pessoas do mesmo sexo é equivalente à união heterossexual perante a lei. Grupos católicos e evangélicos criticaram a decisão judicial e alertaram sobre projetos que, segundo afirmaram, pretendiam "induzir" os adolescentes que estudam em escolas públicas à homossexualidade.

Na quinta-feira passada o ministro da Educação, Fernando Haddad teve reunião com parlamentares da bancada evangélica e disse que a pasta não fará mudanças no material que compõe os kits de combate a homofobia.

Porém, nessa quarta-feira o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que o governo entendeu que "seria prudente não editar esse material". Carvalho explicou que Dilma tomou sua decisão após conversar sobre o assunto com parlamentares de diversas religiões que criticaram o projeto.

O material estava sendo elaborado por empresas contratadas pelo Ministério da Educação (MEC) e seria distribuído ao final de cursos sobre direitos humanos e minorias que devem ser ministrados para alunos do Ensino Médio de escolas públicas.

Segundo o MEC havia antecipado, o material que estava em preparação incluía vídeos que mostravam como o amor surgia entre dois meninos ou entre duas meninas, além de depoimentos de travestis e transexuais sobre suas vidas e relações amorosas.

Carvalho disse que, após conversar nesta quarta-feira com os parlamentares que se opõem ao projeto, Dilma decidiu ainda que "daqui para frente todo material que versar sobre costumes será feito a partir de consultas mais amplas à sociedade".


Fonte: EFE

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A felicidade do Bispo Robinson

Uma primeira constatação é que estamos ainda distantes de ser um “país evangélico”: quarenta milhões da população é formada por miseráveis; uma insegurança pública generalizada; uma educação pública de faz-de-conta; uma saúde pública caindo aos pedaços, assim como as nossas estradas, a corrupção endêmica no aparelho do Estado, o consumo da droga ascendente, prostituição, discriminação contra os negros e os indígenas, infanticídio no ventre, paradas de orgulho do pecado, uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Uma grande distância do exemplo de vida e dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, cujas narrativas e palavras somente conhecemos por um livro chamado de Bíblia, que o mesmo citava com frequência, e que foi organizado por uma entidade fundada pelo próprio: uma tal de Igreja. Uma grande distância da ética e da “vida abundante” apregoada pelas Boas Novas, o Evangelho.

Percebemos sinais do sagrado cristão em nossa História e em nossa Cultura, mas, no geral, ficando na superfície. Se os símbolos importassem tanto, o Rio de Janeiro, com aquela imensa estátua do Cristo Redentor, deveria ser uma antecâmara do Paraíso.

Como cidadão responsável, e como cristão, como eu gostaria que o meu País fosse marcado pela justiça, pela segurança, pela paz, fruto do impacto das Boas Novas, do Evangelho. Sinceramente, gostaria muito que tivéssemos um Brasil mais evangélico.

Fico feliz que Deus não tenha nos livrado da imigração dos protestantes alemães, suíços, japoneses, coreanos, e tantos outros. Fico feliz pelo seu trabalho e por sua fé.

Fico feliz por Deus não nos ter livrado do escocês Robert R. Kalley, médico, filantropo e pastor escocês, fugindo do cacete na Ilha da Madeira (Portugal), pioneiro da pregação do Evangelho entre nós, nos deixando as igrejas congregacionais. Ele nem era norte-americano, nem fundamentalista, pois esse movimento somente surgiria meio século depois. Eram norte-americanos, e também não-fundamentalistas os pioneiros das igrejas presbiteriana, batista, metodista e episcopal anglicana que vieram ao Brasil na segunda metade do século XIX.

Fico feliz por Deus não nos ter livrado desses teimosos colportores que varavam os nossos sertões sendo apedrejados, vendendo aquelas Bíblias “falsas”, cuja leitura, ao longo do tempo, foi tirando gente da cachaça e dos prostíbulos, reduzindo os seus riscos de câncer de pulmão, cuidando melhor de sua família, como trabalhadores e cidadãos exemplares.

Fico feliz por Deus não ter nos livrado desses colégios mistos, desses colégios técnicos (agrícolas, comerciais e industriais), trazidos por esses missionários estrangeiros, em cujo espaço confessei a Jesus Cristo como meu único Senhor e Salvador. E, é claro, tem muita gente agradecendo a Deus por não nos ter livrado do voleibol e do basquetebol introduzido pioneiramente nesses colégios… nem pelo fato do apoio à Abolição da Escravatura, à República ou ao Estado Laico.

Por essas e outras razões, é que vou comemorar (com uma avaliação crítica) com gratidão, dentro de seis anos, os 500 anos da Reforma Protestante do Século XVI, corrente da Cristandade da qual sou militante de carteirinha desde os meus dezenove anos.

Essa gratidão ao Deus que não nos livrou dos protestantes de imigração e dos protestantes de missão, inclui, sinceramente, os protestantes pentecostais, herdeiros daquela igreja original, dirigida por um negro caolho (afro-descendente portador de deficiência visual parcial, na linguagem do puritanismo de esquerda, conhecido por “politicamente correto”)…, mas que abalaria os alicerces religiosos do mundo. Eu mesmo sou um velho mestiço brasileiro e nordestino, e não me vejo como um ítalo-luso-afro-ameríndio de terceira idade…

Olhando para o termo “evangélico”, usado sistematicamente na Inglaterra, a partir de meados do século XIX, como uma confluência da Reforma e de alguns dos seus desdobramentos, como o Confessionalismo, o Puritanismo, o Pietismo, o Avivalismo e o Movimento Missionário, com paixão missionária pelo Evangelho que transforma, dou graças a Deus que Ele não nos tenha livrado da presença dos seus seguidores e propagadores. Até porque, por muito tempo, não tivemos presença fundamentalista (no sentido posterior) e nem do liberalismo, pois esses últimos são bons de congressos e revoluções de bar, mas não muito chegados a andar de mulas por sertões nunca antes trafegados…

Minha avó é quem dizia que “toda família grande vira mundiça”, se referindo ao fato de que quando qualquer instituição, grupo ou movimento social cresce, é inevitável que ao lado do crescimento do trigo haja um aumento significativo do joio. Nesse sentido, o protestantismo e o evangelicalismo brasileiro são normais (com desvios e esquisitices), mas, garanto que temos muitíssimo mais trigo (às vezes armazenados nos celeiros, quando deveriam estar sendo usados nas padarias). No meu tempo só tinha crente militante e desviado; depois apareceram os descendentes, os nominais, os de IBGE, os bissextos e os ocasionais.

No sentido histórico dou graças a Deus pelo localizado movimento fundamentalista nos Estados Unidos, em reação ao racionalismo liberal, pois também afirmo a autoridade das Sagradas Escrituras, o nascimento virginal, a cruz expiatória, o túmulo vazio e a volta do Senhor. Depois o termo foi distorcido por um movimento sectário, antiintelectual, racista, e hoje é aplicado até ao Talibã, em injustiça à proposta original.

Quanto ao Tio Sam, nem todo republicano é evangélico, nem todo evangélico é republicano, embora, de época para época, haja deslocamentos religiosos-políticos naquele país. Eu mesmo não tenho muita simpatia (inclusive aqui) pelo Partido do Chá (Tea Party), pois tenho longa militância no Partido do Café e no Partido do Caldo de Cana com Pão Doce.

A Queda do Muro de Berlim assinalou o ocaso da modernidade e o início de uma ainda confusa pós-modernidade, com a mundialização da cultura anglo-saxã, no que tem de bom e no que tem de mau, mas, como nos ensina Phillip Jenkins, a Cristandade está se deslocando do hemisfério Norte para o hemisfério Sul, e, inevitavelmente, revelamos nossas imaturidades, que devem e podem ser superadas.

Agora, todo teólogo, historiador ou sociólogo da religião sérios, perceberá a inadequação do termo “protestante” ou “evangélico” (por absoluta falta de identificação caracterizadora) com o impropriamente chamado “neo-pentecostalismo”, na verdade seitas para-protestantes pseudo-pentecostais (universais, internacionais, mundiais, galáxicas ou cósmicas), e que é algo perverso e desonesto interpretar e generalizar o protestantismo, e, mais ainda, o evangelicalismo brasileiro, a partir das mesmas.

O avanço do Islã e a repressão aos cristãos onde eles dominam é um “óbvio ululante”, a defesa da vida em relação ao aborto, à eutanásia, aos casais que não querem ter filhos, ao homossexualismo, o atentado ao meio ambiente (“cultura da morte”) é coerente com o princípio da Missão Integral da Igreja na “defesa da vida e da integridade da criação”.

A identidade evangélica se faz por um rico conteúdo e não por antagonismo ou relação reativa a conjunturas.

Sabemos que o mundo jaz do maligno, que o evangelho será pregado a todo ele, mas não que todos venham a se converter, e que descendentes de cristãos nem sempre continuam nessa fé. Assim, o Brasil nunca será um País totalmente cristão, protestante ou evangélico, mas creio que será bem melhor com uma Igreja madura que, sem fugas alienantes, adesismos antiéticos ou tentações teocráticas, possa “salgar” e “iluminar” com os valores do Reino.

Para isso necessitamos (na lícita diversidade protestante quanto a aspectos secundários e periféricos) de líderes sólidos e firmes, vestindo a camisa do nosso time com entusiasmo e garra para o jogo, sem se perderem em elucubrações estéreis, de quem já perdeu a fé na Palavra, não acredita mais na Queda, nem na Redenção, nem na singularidade de Cristo, deixando uma geração órfã de heróis.

Assim, espero que Deus não nos livre dessa presença cultural transformadora; que Deus não nos livre de ser, cada vez mais, um País evangélico.

A Ele, Onipotente, Onisciente e Onipresente, Senhor do Universo e da História, com os anjos e arcanjos, coma Igreja Triunfante e a Igreja Militante, intercedendo por todos que atravessam crises espirituais, seja toda a honra e toda a glória!

Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br