Toda técnica só é válida quando promove o ser humano em conexão com Deus, com o semelhante e com o ecossistema em que vive. Qualquer cultura só tem valor autêntico quando aperfeiçoa as pessoas para estas interagirem assim.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Homenagem "lusitana"
As rimas a seguir são do meu amigo Pr. Benoni (Comunidade Evangélica Jesus Vive - Rio) para homenagear o Pr. Oswaldo e a esposa, Marta, em sua ida a Portugal:
Nosso amado Oswaldo e a Fátima vão estar viajando para Portugal nos próximos dias.
Pensando neles escrevi um recado à Marta e aos amigos portugueses:
LEMBRANÇAS
Ao canto da cotovia
Escutei um “passa cá”,
Vem prá terra dos patrícios
Para aqui nos ajudar.
Fomos nós que os encontramos
no meio de um matagal
por um gajo aventureiro
que se chamava Cabral.
Em nossa terra temos Pintos,
Pereiras, Silvas e Pinhos,
Joaquins e Joaquinas,
Agripino e Agripinas.
Nomes de gente valente,
Hoje espalhadas no mundo,
Gente que até ficou rica,
Como o amigo Raimundo.
Desta terra levamos coisas,
Muitas pedras e o vil metal,
Mas também deixamos a mulata,
Com seu requebrado infernal.
Se vós não quereis a troca,
Pelo menos, não nos queiram mal,
Qualquer pedido de troca
Enderecem ao Cabral.
Foi dito que Joaquina daí nunca gostou,
Por outro lado D. Pedro
De todas se enamorou,
E num grito de liberdade
O Brasil emancipou.
Isabel, a corajosa princesa,
A abolição deflagrou.
Só não sei se depois disso tudo alguma coisa mudou.
Mesmo assim levem lembranças de todos os brasileiros,
Abrace a amiga Marta e a todos seus companheiros,
Ao Dalmo diga que em breve iremos lhe visitar,
Na esperança de um dia ver seu Bota ganhar.
Agora que vem a Copa vamos torcer por Portugal,
Mas se o Brasil lhes der uma coça,
Também não nos queiram mal,
São coisas da velha amizade: Brasil e de Portugal.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Qual é o limite para "fazer"?
A vontade é um precioso dom que Deus nos entregou. Com ela, tomamos decisões importantes que podem nos fazer avançar ou retroceder de modo estratégico, tendo sempre conseqüências nos respectivos efeitos da decisão tomada. Fazer ou não fazer depende sempre do momento, conforme seja estratégico esta ou aquela determinação. Lemos em Eclesiastes 3.1-12: "Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião...".
Fazer sem discernir se era apropriado ou oportuno é mero ativismo, vazio de significados mais profundos e duradouros. Deixar de fazer quando é preciso agir leva-nos ao imobilismo, a uma inépcia que pode ser desastrosa, dependendo da urgência e relevância das providências necessárias. Se é preciso tomar uma atitude, devemos ousar, ainda que nos precavendo. E sempre, em qualquer caso, haverá conseqüências.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
"Ter" dificulta a comunhão com Deus?
No Evangelho, temos a narrativa de um rapaz que se aproximou solicitamente de Jesus e, perguntando sobre sua salvação pessoal. Ele tinha uma posição destacada e era um religioso. "... Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me..." (Lucas 18.18-24).
Esse moço se retirou após a resposta de Jesus porque não previa abrir mão de suas posses. Não era o fato de ser uma pessoa rica que o desqualificava para ser discípulo de Jesus, mas o apego que nutria em relação ao seu patrimônio. Jesus se permitia relacionamentos com pessoas das camadas mais baixas da sociedade e, ao mesmo tempo, tinha amizade com gente das altas esferas. Não houve em Jesus o preconceito de classe. Ao contrário, ele transitou pelas classes sem deixar que a distância social o impedisse de dialogar e interagir com outras pessoas.
No caso desse jovem prisioneiro dos bens materiais, sua insegurança provinha do fato de ser ele alguém que confiava na fortuna que possuía e, por isto, sua religião era vazia a despeito da aparência piedosa.
E nós, até que ponto o que temos é um obstáculo a nos entregarmos mais a Deus?
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
A virgindade é importante?
Este assunto tem sido um pomo de discórdia entre gerações e entre diferentes posições assumidas por pessoas na sociedade, ou mesmo dentro da Igreja.
Lendo sobre o assunto na Bíblia, vemos em 1 Coríntios 7.35-36: "... se alguém julga que trata sem decoro a sua filha, estando já a passar-lhe a flor da idade, e as circunstâncias o exigem, faça o que quiser. Não peca, que se casem", percebemos que a Escritura não se detém muito sobre o tema. A outra passagem está em Ezequiel 44.22, indicando a preferência para as virgens no casamento de sacerdotes. Ocorre, no entanto, muita exasperação provocada por conceitos locais e modos culturais de lidar com a questão. Contudo, mesmo com a economia da Bíblia em textos sobre a virgindade, ela não encoraja nem endossa a promiscuidade.
Aliás, é fácil reconhecer que virgindade não é algo que preocupe apenas à juventude, nem mesmo apenas à mulher. Ela afeta a família, a Igreja, a sociedade, a justiça e a medicina. Afinal, virgindade não é um assunto apenas religioso ou moral, implica em cuidados de saúde, o direito e a responsabilidade civil de indivíduos e grupos. Multidisciplinar, ela envolve aspectos delicados do comportamento social e da saúde emocional.
Então, se a virgindade fosse um órgão do corpo, ela deveria ser protegida como fazemos com os olhos, quando nos chocamos contra um objeto grande: cobrimo-los com braços e mãos. Sim, pois os olhos são órgãos nobres e essenciais. A virgindade, em certo sentido, também.
Porém, o mais importante da virgindade não diz respeito àquela parte do corpo - o hímen - que se rompe na primeira relação sexual. Seu aspecto mais relevante diz respeito ao rompimento moral e à poluição espiritual. Devo ser mais claro: eu costumo brincar, dizendo que a mulher é o projeto final da criação enquanto o homem é o rascunho, o modelo inicial de Deus, isto é, um protótipo da espécie, que viria a ser aperfeiçoado na fisiologia feminina. Um exagero, é claro. Mas isso ilustra o valor da preservação do hímem, um acabamento em pele da mucosa vaginal. Na mulher, esse pequeno detalhe integra um sistema com conexões nervosas (sensibilidade), psicológicas (instinto de preservação da integridade física como parte da saúde emocional) e espirituais (conceitos morais afeitos à responsabilidade pessoal). Seu valor é crucial para a mulher, como se fosse o laço que ata um segredo pessoal muito significativo. Toda mulher carrega consigo um segredo especial a ser partilhado, apenas, com alguém que esteja disposto a ser seu companheiro (no masculino, pois a biologia humana habilita a fêmea para o macho e vice-versa). Quando a mulher antecipa seu segredo íntimo a alguém que não tem maturidade nem responsabilidade para lidar com isso, ela sofre o rompimento, não de uma película apenas, mas de sua integridade emocional e espiritual, além da perda do hímen, cujo valor cultural pressiona-a ainda mais.
Ao contrário do senso comum, nada tem a ver com moralismo. O moralismo tem sido, simplesmente, o padrão desenvolvido para encaminhar a questão e tratá-la de modo raso e corriqueiro. O que, a rigor, não ajuda a mulher; na maioria das vezes, apenas serve para recriminá-la.
Por isso, não é para dar tanta importância ao rompimento do hímen, e sim, à psiquê ferida e ao espírito deprimido, que aceitou uma comunhão na qual a mulher, na maioria das vezes, tem sido perdedora. Para não dizer que o abuso contra a mulher, via de regra, têm seu eixo na dominação sexual, no uso da mulher como objeto. Daí a importância de a mulher avaliar muito cuidadosamente a pessoa com quem está prestes a partilhar seus segredos mais íntimos. Isto para evitar, o máximo possível, decepções e dissabores amorosos.
Curiosamente, muitas sociedades que consagram, em suas legislações, o estupro como ação sexual da pessoa adulta contra a criança, incapaz ou menor de idade, ao mesmo tempo, defendem a liberdade sexual dos jovens, achando natural o sexo na adolescência. Elas mesmas geralmente não reconhecem adolescentes como pessoas maduras e legalmente responsáveis, mas quanto ao sexo, parecem atribuir-lhes a decisão, por si mesmos, de antecipar ou não a maturidade.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Disposição para correr ou para ficar inerte?
Vendo imagens, hoje, de pessoas que corriam para dentro de um posto de distribuição de medicamentos, lembre-me do verso bíblico: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.16). Dentre os que correram, houve quem alcançasse o que buscava e outros, não, mesmo tendo corrido até ao fim. Isto é justo?
A máxima paulina na Carta aos Romanos aparece em meio a uma discussão sobre a posição dos israelitas na Redenção: Deus usa de misericórdia para com quem lhe apraz, pois não há merecimento humano na salvação. Mas percebemos que a vida, enquanto experiência temporal, não é justa. E também não é injusta. Na verdade, em termos de biologia, não existe uma moral que determina sorte ou azar. Como determinar e como julgar o aparecimento de uma enfermidade que acomete a uma pessoa boa e generosa: Deus quis? Maldição? Acaso? O quê?
Quanto à competição pela sobrevivência, a disputa é essencial à preservação de uns enquanto outros sucumbem devido às suas limitações e ao despreparo para competir. Então, como vencer na competição pela sobrevivência?
Contudo, cremos que o Deus da Bíblia, é soberano e interpõe sua vontade a favor daqueles a quem ele concede o seu favor. Por misericórdia, Deus interfere em nosso tempo-espaço e conduz ações e canaliza recursos – tudo sobre o que ele tem domínio, isto é, sobre todas as coisas – e aloca-os para que se saiam vitoriosos aqueles e aquelas que nele confiam. Às vezes, é preciso correr, por-se em marcha (Ex 14.15). Outras vezes, é preciso parar e esperar (2 Cr 20.17).
Na afirmação de Paulo aos romanos – que depende de “usar Deus a sua misericórdia” – está a resposta que buscamos. Misericórdia não é o mesmo que justiça, menos ainda, merecimento; misericórdia é usar de benevolência para com pecadores. Então, é preciso reconhecer o estado de indigência moral e clamar por bondade, mesmo sem merecer.
Na distribuição de medicamentos, porém, não é o caso de usar misericórdia. As pessoas com receita em ordem para receber, independentemente de senha ou momento de chegada, tem direito a receber, pois é dever do Estado assegurar um serviço de saúde universal e gratuito.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Você lamenta a prisão desses jovens?
O jovem Caio, 23 anos, preso na Bahia e acusado de ter acendido o rojão que atingiu mortalmente o cinegrafista Santiago Andrade, pode ajudar a esclarecer as circunstâncias do crime. Ainda não ficou demonstrada a dinâmica do fato nem a responsabilidade de Caio no incidente. Lembremos da passagem bíblica: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer” (Eclesiastes 12.1).
Ainda existe muita controvérsia sobre se seria esse jovem a mesma pessoa procurada pela Polícia fluminense, se estaria ele sendo bode expiatório em uma “armação” para satisfazer a opinião pública, com grupos defendendo-o por ele ser “negro” (sic), por ter ele, supostamente, agido politicamente em uma manifestação democrática, e outros apontando pressão e manipulação da imprensa, presumivelmente aliada das autoridades etc. Muito vozerio e pouca lucidez.
Mas ele é, no momento, peça-chave, junto com outro jovem: Fábio, 22 anos, para a elucidação de um atentado que comoveu a opinião pública. Comprovada a participação desses jovens no episódio, resta-nos meditar sobre a justa ação de prender criminosos comuns, que atentaram contra um cidadão de bem em seu trabalho, ou a tragédia da perda da inocência e da juventude de dois rapazes na flor da idade, que poderiam se tornar exemplos para a sua geração e homens honrados perante a sociedade. Neste momento, lançados na masmorra da execração pública, eles parecem estar longe de toda redenção, com a reputação manchada indelevelmente por toda a vida. Quem irá apiedar-se deles? Quem irá falar-lhes de esperança e superação, de perdão e reconciliação, de liberdade e alegria? Quem acreditará que podem arrepender-se ou apostará que podem amadurecer?
Mais do que esperar que se cumpra a desdita, segundo a sentença bíblica, é preciso lamentar, com seus pais e todos que os viram crescer, a crueldade e a vergonha do gesto e suas conseqüências, tanto quanto a dor e a humilhação de seu fim. É preciso lamentar que seu aprendizado leve-os por um corredor tão lúgubre que lhes roube a juventude e as promessas. Mas a esperança ainda não cessou.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Você tem um projeto de vida?
Há pessoas que pensam a respeito de suas vidas em termos de missão. Existem aquelas de quem dizemos: "Fulano veio ao mundo a trabalho". No entanto, de outras dizemos: "Já Beltrano, veio a passeio". Assim escreveu Paulo: "Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé, a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós, e vós, nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo" (2 Tessalonicenses 1.11-12). Tenho a certeza de que Deus, ao planejar e dotar a sua vida, querido, querida, disponibilizou tesouros maravilhosos potencialmente "encontráveis" em você - "tesouro em vaso de barro". Por isto, não se deixe convencer de que não dá, não consegue, não merece, não tem vez. Creia que Deus age em sua vida poderosamente e pode levar você a situações que você jamais imaginou. Mas observe que tudo ele fez, faz e fará em você para a glória dele e somente por ele. Sabe por quê? Porque, quando ele é glorificado, em vez de você e eu, todos podem ganhar, pois ele é Deus para fazer a sua vida "decolar", mas é Deus suficientemente poderoso para usar a sua vida para que outras vidas "decolem". Faça de suia vida um projeto que Deus use para a sua glória. você vai ganhar e todo mundo também vai.
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