quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Alguém sabe onde está o fusquinha do irmão André?



Em O Globo da quinta-feira, 16.09.2010, o editorial abordava a postura antidemocrática que o ex-deputado e ex-ministro José Dirceu, cassado por causa de seu envolvimento no escândalo do “Mensalão”, vem demonstrando quanto ao papel da imprensa. Na opinião do jornal Dirceu está vivamente interessado em concretizar uma antiga proposta do Partido dos Trabalhadores de restringir o peso da imprensa.
A tese do editorial é que o PT, desde que chegou ao poder, não esconde que, à semelhança do casal Kirchner, na Argentina, e o mandatário venezuelano Hugo Chávez, sem excluir os outros potentados latinoamericanos com tendência ao autoritarismo de equerda, o governo deve limitar o número e o tamanho de empresas de comunicação, por meio de regulações acionárias no mercado e intervenções de um comitê regulador sobre os diversos conteúdos.
A tese pode ser ou não a expressão da verdade. Mas a intenção de controlar a imprensa com mão de ferro é uma realidade que vem assombrando toda a América do Sul desde meados desta década. A se confirmar a tese, irá consubstanciar-se o primeiro império sindical do planeta, um fruto plantado pelas velhas burocracias bolcheviques que chega a vingar no hemisfério sul.
Se tal acontecer (e não estamos tão longe disso!), a imprensa não será a única a ser amordaçada. É apenas a primeira. A bola da vez passaria então às igrejas.
Imprensa e igreja são versões do mesmo sentimento. Ambas estão em busca da verdade. Ambas se dedicam a proclamar, a anunciar, a abrir os sentidos da sociedade. Ambas incomodam as aspirações hegemônicas com suas denúncias proféticas, vaticinando tendências e resultados de curto, médio e longo prazos. Imprensa e igreja, embora tenham um parentesco complicado que as leva, muitas vezes, a análises e propósitos conflitantes, têm entre si a mesma essência marcada pela indignação contra as injustiças.
Não à toa, João Wesley enxergava a utilidade do binômio Bíblia-jornal e tanto recomendava a seus pregadores que se atualizassem pela leitura de informativos quanto se definia como “homem de um único livro” (a Bíblia). Apesar das tensões do parentesco, Imprensa e Evangelho não são excludentes, mas complementares. A Igreja genuína proclama a verdade revelada, a imprensa séria mostra a verdade dos fatos. Uma, fala com amor e cuidado pastoral, a outra, com incisividade e sem amarras litúrgicas.
Por isso, aqueles que ambicionam o poder acima do controle das instituições detestam os conselhos e advertências das duas vozes da consciência social presentes na religião e na imprensa. Se hoje a imprensa é atacada e impedida de cumprir o seu papel sagrado sem que a sociedade reaja a esse golpe, amanhã será a vez da religião ser agredida e silenciada.
A permanência de um superpartido no poder leva a efeito o de que José Dirceu foi acusado: a “mexicanização” (referência às mais de sete décadas de pontificado do Partido Republicano Institucional no México). O Brasil, maior país católico, que é também a terra de vertiginoso crescimento evangélico, corre o risco de “sovietização”. Assim foi com as repúblicas da “Mãe Rússia”, que amargaram 70 anos de hipercontrole comunista retrógrado. Idem com Judá, no passado, submetido a 70 anos de cativeiro em Babilônia.
Prova de que há um plano de alteração na ordem mundial, de mudança de eixos geopolíticos pela inversão social, marcada pela rebeldia e pelo descrédito nas instituições, é o avanço da diluição moral, intelectual e política a que assistimos na América Latina. Por que nesta região? Porque ela é frágil cultural e politicamente, mas tem uma razoável base econômica que daria a sustentabilidade que Che Guevara e os soviéticos enxergaram e quiseram trazer para o seu lado. E que melhor hora do que esta, quando a patrulha ideológica norte-americana baixa a guarda em função das crises moral e econômica dos EUA, com a diminuição de sua hegemonia para novos e poderosos agentes?
Caso o irmão André (o “contrabandista de Deus”) queira vender o seu fusquinha carregado de bíblias, vale uma boa oferta. Pode ser que ele volte à ativa no Brasil.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O nosso nome é Francenildo

Da luta entre o gigante guerreiro Golias e o menino Davi, cedo aprendemos que Deus ajudou o menino a vencer o primeiro. Aprendemos a história da luta entre o rude e abusado filisteu e o ruivo guri que fedia a curral de ovelhas na Bíblia (primeiro livro de Samuel, capítulo 17). A lição é que Deus se coloca ao lado de quem nele confia e não se estriba em suas próprias fama, força e habilidade.
A eleição de 2010 traz de novo a cena preservada por um cronista de Samuel. Não tem muito tempo, apareceu por aqui durante o primeiro mandato de Luís Inácio Lula da Silva. Novamente, ela conecta a presente quadra da vida brasileira ao panorama bíblico e expõe gravíssimo risco à brava gente.
Não! Não tem nada a ver com a filha do tucano José Serra – Verônica – cujo sigilo na Receita Federal, em 2009, foi o prato de duas invasões de arapongas de estrelinha vermelha. Eu me refiro a outra coisa.
Lembra que o então ministro da Fazenda, Antônio Pallocci, em 2006, sustentou uma polêmica com um caseiro piauiense, de nome Francenildo, que supostamente teria recebido dinheiro para caluniar o ministro e várias personalidades pela suspeita de uso irregular de uma mansão no Lago Paranoá, em Brasília, para conchavos políticos? Pois então, o caso de Verônica é, simplesmente, a tampa da Caixa de Pandora, da qual procederão as mais malignas catástrofes, se nada for feito para fechá-la a tempo.
Muito mais que atingir a débil candidatura do PSDB à presidência ou demais caciques social-democratas cujos segredos foram igualmente violados, assusta o fato de os “filisteus” do politburo trabalhista ensaiarem o que farão à indiazada toda por longo tempo, caso a estrela do PT não se desgrude do Planalto para oxigenar a alternância do poder.
Ora, se paus mandados bolcheviques entram no sistema da Receita e passeiam pelo sigilo fiscal de personalidades, do tipo “cachorro grande”, da política nacional, que é a gente do naipe e da visibilidade desses graúdos, o que não farão aos anônimos assalariados e pequenos e médios empreendedores distribuídos pelas alta e baixa Classe Média, que são os maiores pagadores de impostos e quem movimenta boa parte da renda socialmente relevante do país? O golpe é tão brutal que põe sob suspeita toda a máquina fiscal.
De vários cantos da América Latina, em laboratórios de sociedades do medo, como Cuba, Venezuela, Bolívia e, recentemente, Argentina e Equador, prodigalizam-se episódios de raro retorno às trevas do autoritarismo sindical leninista. A Classe Média é lançada no colo da esquerda retrógrada pelo medo do pólo oposto, onde empresários conservadores e magnatas da vida rural ainda guardam o bafo das ditaduras de direita. Sementes que hibernaram dos anos 1960-70 e a Guerra Fria desabrocham no Paraguai, Uruguai e quiçá no Peru, com novos mandatários fichados nos anais da repressão por terem atuado na clandestinidade.
O ímpio gigante será um desafio hercúleo a vencer se o pequeno “Davi” não se dispuser a enfrentar o monumental mostrengo. Pallocci está na cúpula da campanha de Dilma Roussef e, junto com os caciques petistas, sua trajetória novamente coincide com a arapongagem governamental e a figura do “estado Leviatã”, concebida recentemente por João Ubaldo Ribeiro (O Leviatã pega, O Globo, 08/08/2010).
Calma, porém. A lição tirada da Bíblia mostra a vitória da criança ingênua mas resoluta em sua confiança em Deus. No caso brasileiro, “Davi” é Francenildo, o herói do povo, o “Zé” que dos poderosos se vinga com as mãos limpas e com a verdade, pois quem não deve não teme. E, diante da definitiva ameaça da versão verde-e-amarela do estado policial, no qual faltará o abrigo das liberdades individuais, do direito à preservação de dados pessoais e dos assuntos da vida íntima perante a indiscrição do Grande Irmão (pensou em 1984, de George Orwell?), só nos restará dizer que doravante todas as pessoas do povo se chamarão Francenildo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pé no chão

Luciano P. Vergara

Esta terra em que pisa o meu pé é, sob muitos aspectos, uma terra vã e sem valor, não é de ouro nem são preciosos os seus torrões. Sob outro modo de olhar, ela é mais que preciosa. É pátria, é solo que serve de apoio, sobre o qual está a minha casa, terra que me viu nascer e que, cessada a vida chã, há de acolher os restos do meu corpo. É na terra que se planta o alimento e sobre ele corre a água que sacia a sede de todos. É dela que vem o minério que modifica o dia-a-dia, que faz a riqueza de muitos e a loucura de gananciosos. É sobre ela que lutam soldados e mourejam grupos econômicos. Sobre esta terra sonhamos, amamos, odiamos e existimos.
No chão em que rola a bola, espetáculo e delírio de multidões, nem mesmo a grama mais cientificamente tratada esconde a aridez de um solo que tanto sangue já enxugou. A poeira levantada por manadas selvagens ou pela meninada negra que se agita atrás de uma suja bola feita de meia esconde contrastes que separam interesses milionários da extração mineral e o trânsito de pessoas comuns no varejo dos amontoamentos não urbanizados. A jabulani vai de um lado ao outro – de pé em pé – sem ligar se é campeão ou perdedor.
Enquanto a poeira sobe, a pelota pode ir, num passe, do pé de um moleque que se mete em buracos, a buscar brilhantes no interior da África, ao pé de um refugiado da fome e da guerra nos campos de chefes tribais. Ou pode ir do pé de um polígamo obá centro-africano ao pé de um pirata nos arrabais de Mogadíscio.
“Tira as sandálias dos pés!” – ecoa a voz reivindicadora, sobre um solo qualquer, da santidade do chão pisado pelo Eterno. Do outro lado do Mar Vermelho, atrás do fugitivo hebreu, salvo das águas e príncipe egípcio descoroado, um povo chora enquanto amassa, com os pés, a matéria prima que alimenta a expansão das moradas, a ocupação da terra, adensamento da metrópole. Ocultos dos palácios e debruçados sobre formas de tijolos, gemem os escravos da especulação, explorados pela vilania dos donos da terra “– Até quando, Adonai?”. E o soberano dos céus, Yahweh, determina ao pastor de Midiã: “– Volve, Moisés, o teu rosto para aquela terra e volta a ela para dizer àquele que oprime a minha herança: – Deixa o meu povo ir”.
Sobre o mesmo solo do antigo apartheid , novamente rola a esfera, para deleite de negros, brancos e toda raça de gente. Enquanto ela descreve nos estádios o seu destino, a poeira continua a subir, seja das minas e garimpos, seja dos terreiros de chão pisado, seja dos tijolos da humilhação. Seus heróis podem usar chuteiras milionárias ou óculos cravejados de jóias. Posam para o brilho que espoca das câmeras de lentes grandes. Na arquibancada, quais macacos vestidos e pintados de modo jocoso, todos brindam a vitória de seus campeões e a derrota dos adversários.
Inútil é o choro dos perdedores. Voltarão a enfrentar outros rivais, tentando justificar, atrás da bola hipnótica, seu fútil aziago. Fúteis, embolam-se em um jogo inexplicável, que tenta repetir a vida no gramado, para que as coisas permaneçam como sempre foram: na arena, gladiadores, na tribuna, governadores.
A Copa do Mundo aproxima os contrários e disfarça outras disputas fora de campo. Sobe a poeira. Mas o dinheiro é bom para todos. Cardumes de peixes variados, dilaceram o campeonato ludopédico: os grandes, com suas grandes bocas, amealham nacos maiores; os pequenos pegam o que sobra. Fora do estádio, conflitos raciais e religiosos abrem chagas e não há o apito de um árbitro. Manchada de sangue, ergue-se uma bandeira, mas ela ainda não anuncia justiça. Travas da barbárie, com traços de petróleo, diamantes e escravidão, fazem sulcos hemorrágicos sobre a pele de ébano. E pés duros e rachados – pés-de-moleque – que pisam a grama cirurgicamente aplicada sobre a base terraplanada sustentam corpos inertes, cabeças zonzas a girar olhos embasbacados em meio à massa multirracial. Spots, telões, placares luminosos preenchem um panorama surreal e trombetas infernais “vuvuzelam” os ouvidos mais calejados. Abafam-se os gritos da menina circuncidada e o esgüelar do gurizinho que perambulou no campo minado.
África, que é do Sul, do Saara, do “chifre”, das ilhas ocidentais; que é muçulmana, animista, cristã... o que mais? Mãe-chão de tantos povos e culturas, antiga porção do Éden. Testemunhou civilizações, reis e peões e, hoje, é o torrão de uma infinidade de pobres. Mas não lhe faltam opulentos – poucos, é verdade, mas que concentram força e riqueza pelo uso da truculência, do vício e da magia. Temidos, controlam tribos e países por meio de capangas e tropas. Alguém vê a poeira subir?
“Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação...!” – canta o poeta de Deus. No entanto, há pés que se especializaram na ligeireza, que lépidos e tocando apenas a superfície, não marcham com firmeza para o compromisso. São errantes e sonsos. No gramado do campo, os pés da agilidade existem para a exibição, não concretizam coisa alguma, o seu vínculo é com o espetáculo que, embora aproxime e confraternize, rara vez está a serviço de uma causa maior. Não sobem a um monte, mas na plana maciez de um palco verde, mais alienam do que integram. Vidas a eles se entregam, submissas e obcecadas ao ponto de por eles matar ou morrer.
Excepcionalmente, uma cabeça que se apóia sobre os pés de chuteiras reúne elementos para algo mais que a partida e a comemoração. Jogar e festejar são, muitas vezes, as únicas coisas que seus sujeitos alcançam fazer. São em tudo fracassados, menos entre os limites do campo. Vêm, muitos deles, de origem obscura e poucos percebem o quão luminosos poderiam se tornar. Não é assim com o goleiro herói transmutado em monstro carniceiro? Não foi assim com aquele que, sem brios, ostentava o título de “animal”?
Justiça seja feita, em todas as modalidades, a sedução da popularidade, riqueza e poder fora de controle podem entorpecer; não é algo exclusivo desta ou daquela atividade. Mas eis que o povo consagra determinados heróis, os quais, não são capazes de discernir a oportunidade que a vida lhes deu para servirem aos demais. E assim, vivem para si mesmos sem jamais se satisfazer.
O quanto implica colocar o pé no chão? Em conquistas muito além do que podemos imaginar. “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé... será vosso”. Se a cada evento da humanidade, renova-se a expectativa de que, depois dele, tudo ficará melhor que dantes, que resultados se devem esperar de intermináveis horas e bilhões investidos em rolar a bola? Não importa se Dunga ou Diego ficam ou saem. Ou que destaque será homenageado. A pergunta a ser feita é: Com tudo isso, em que o mundo ficou melhor para as pessoas? O verdadeiro time dos sonhos é constituído daqueles que, com o pé no chão, vão “andando e chorando enquanto semeiam”, pois “voltarão com júbilo, trazendo os seus feixes”.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

qual é a verdade sobre o ataque à frota humanitária?

O episódio do ataque israelense ao comboio dito humanitário ainda merece maiores esclarecimentos. Mas é possível afirmar que as forças de Israel precisam se atualizar e refinar os meios de resposta às eventuais e potenciais ameaças.

Enquanto a maior parte do mundo que se pretende civilizado desconhece o que é viver cercado de inimigos e com a constante possibilidade de ataques terroristas, o governo do Estado de Israel apresenta um comportamento esquizofrênico, já que não dá para garantir ao seu uma consistente sensação de segurança.

Aos poucos, os fatos estão vindo à luz. A desigualdade de forças já não parece tão gritante à medida que a opinião pública vai conhecendo quem eram os ativistas. Uma maioria de “bois de piranha” (incluindo brasileiros) estimulados por facções ligadas a terroristas líbano-palestinos com ramificações e apoio de grupos radicais de vários países islâmicos embarcaram em um flotilha humanitária. O comboio singra o mar numa rota que todos sabem potencialmente ameaçadora para o que o Estado israelense define como a sua segurança nacional. A bordo, os tripulantes cantam canções ideológicas que evocam a destruição de Israel. No interior das naus dos insensatos, o confronto dos oponentes leva a uma radicalização dos papéis que alcança níveis de loucura. Daí, não se pode concluir outra coisa: o fim dessa operação já era previsível.

Fica bem claro que o resultado não foi um acidente; a coisa foi calculada. Alguém, com interesse bem definido, administrou a ida daquelas pessoas para a morte. E o efeito foi bem plantado: a indignação internacional contra a brutalidade de Israel e a pressão dos países por sansões.

O melhor que Israel pode fazer sem ter que abrir mão de prover a segurança do seu território e a continuidade de seus interesses geopolíticos é aprender a lidar com esse tipo de ação. O que fez Israel que outro país também não faria se se visse ameaçado? Mas, no caso israelense, essas ações precisam mais de inteligência do que de força. Talvez, criar parcerias temporárias com nações neutras para vigiar suas fronteiras marítimas e terrestres, já pensando na possibilidade de se policiarem também os céus. Tudo isso é muito complexo, sem dúvida. Que país relativizaria o seu direito a prevenir sua própria soberania dividindo com outros o controle de suas fronteiras? Mas em seu caso, é possível que algo assim ajudasse a prevenir simulações destinadas a plantar chacinas e, depois, apontar para a monstruosidade do estado judeu.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pacto de Lausanne, referência na evangelização contemporânea




INTRODUÇÃO

Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.



1. O Propósito de Deus

Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.



2. A Autoridade e o Poder da Bíblia

Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática.

Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.



3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo

Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se ofereceu a si mesmo como único resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e os homems. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam.

Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como "o Salvador do mundo" não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.



4. A Natureza da Evangelização

Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado.

Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.



5. A Responsabilidade Social Cristã

Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.



6. A Igreja e a Evangelização

Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que

pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.



7. Cooperação na Evangelização

Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.



8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização

Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua efetividade como parte da missão da igreja.



9. Urgência da Tarefa Evangelística

Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para-eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não-alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas.

Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.



10. Evangelização e Cultura

O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.



11. Educação e Liderança

Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiáticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.



12. Conflito Espiritual

Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e potestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico.

Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes à aceitação do mundanismo em nossos atos e ações, ou seja, ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. Tudo isto é mundano. A igreja deve estar no mundo; o mundo não deve estar na igreja.



13. Liberdade e Perseguição

É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem quaisquer interferências. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que têm sido injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus.

Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Nós não nos esquecemos de que Jesus nos previniu de que a perseguição é inevitável.



14. O Poder do Espírito Santo

Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.



15. O Retorno de Cristo

Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a idéia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.



CONCLUSÃO

Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós.



Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto!



Amém. Aleluia!

Fonte: www.lausanne.org

terça-feira, 9 de março de 2010

Este hino, canta quem é carioca










"CIDADE MARAVILHOSA" - O hino da Cidade do Rio de Janeiro

Letra e música por André Filho


Estribilho:
Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil

Berço do samba e das lindas canções
Que vivem n'alma da gente.
És o altar dos nossos corações,
Que cantam alegremente.

Estribilho

Jardim florido de amor e saudade,
Terra que a todos seduz
Que Deus te cubra de felicidade,
Ninho de sonho e de luz

Estribilho



Ref.: Lei nº 5, de 25.08.1960; Lei nº 488, de 27.10.1964

terça-feira, 2 de março de 2010

Louvor a caminho do céu comove bombeiros no ES

Fotos: Nestor Müller - GZ


Dois pastores evangélicos e um motociclista morreram num acidente envolvendo sete veículos, na manhã de ontem (09/01/10), na Rodovia do Contorno, trecho da BR 101 que liga Serra a Cariacica, no interior do Espírito Santo.
Os religiosos pertenciam à Igreja Assembleia de Deus e haviam saído de Alegre, município da Região Sul do Estado, rumo a uma convenção estadual da igreja em Nova Carapina II, em Serra.
Os veículos – cinco caminhões, uma moto e um automóvel Del Rey – bateram um atrás do outro. O engavetamento aconteceu às 8h15min, no quilômetro 277, no Município de Serra. Os pastores vitimados estavam na parte traseira do carro.
Tudo começou quando um caminhão freou por causa do intenso fluxo de carros no sentido Cariacica - Serra. Os veículos que vinham atrás dele frearam também, mas o último caminhão – de uma empresa de cerveja – não conseguiu parar a tempo. Com isso, os veículos que estavam à frente foram imprensados uns contra os outros.
Os pastores José Valadão de Souza e Nelson Palmeira dos Santos e o motociclista Jonas Pereira da Silva, 52 anos, morreram no local. Dois outros pastores, que também estavam no Del Rey, sobreviveram e o motorista de um dos caminhões sofreu arranhões nas pernas. Nenhum dos outros motoristas ficou ferido.
O proprietário e condutor do Del Rey é o pastor Dimas Cypriano, 61 anos, do município de Alegre. Ele saiu ileso do acidente e teve ajuda do motorista José Carlos Roberto, carona de um dos caminhões, para sair do veículo.
Seu amigo de infância, o pastor Benedito Bispo, 72, ficou preso às ferragens. Socorristas do Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu) e bombeiros fizeram o resgate dele. O pastor teve politraumatismo e foi levado para o Hospital Dório Silva, em Serra.
A mulher de Benedito chegou a ver o marido sendo socorrido e teve que ser amparada por um familiar. Ela também seguia para a convenção num outro veículo. A rodovia ficou interditada durante vários momentos da manhã de ontem nos dois sentidos. O trecho só foi totalmente liberado no início da tarde.
O pastor Dimas Cypriano, que sobreviveu ileso ao acidente na manhã de ontem, contou que usava cinto de segurança e que ficou preso ao tentar sair. Ele dirigia o Del Rey e disse que precisou de ajuda para sair do carro. Mas depois continuou no local, acompanhando os trabalhos de resgate do amigo. Nas mãos, levava uma Bíblia que ficou suja de sangue. Mas isso não impediu que o pastor orasse durante o socorro.
O mais comovente do triste episódio foi o relato feito pelos dois pastores sobreviventes e pelos bombeiros que tentavam tirar os pastores ainda com vida, mas que permaneciam presos nas ferragens.
As testemunhas citadas acima contam que os pastores Nelson Palmeiras e João Valadão ainda com vida e presos nas ferragens, em meio a muito sangue, começaram a cantar o hino 187 da Harpa Cristã:

Mais perto quero estar,
Meu Deus, de ti!
Ainda que seja a dor
Que me una a ti.

Sempre hei de suplicar:
Mais perto quero estar, (2x)
Meu Deus, de ti!

Andando triste aqui, na solidão,
Paz e descanso a mim teus braços dão.
Nas trevas vou sonhar,
Mais perto quero estar, (2x)
Meu Deus, de ti!

Minh'alma cantará
A ti Senhor!
E em Betel alçará
Padrão de Amor.

Eu sempre hei de rogar:
Mais perto quero estar (2x)
Meu Deus, de ti!

E quando Cristo, enfim,
Me vier chamar,
Nos céus, com serafins
Irei morar.

Então me alegrarei,
Perto de ti, meu Rei, (2x)
Meu Deus, de ti!

Aos poucos, suas vozes foram silenciando para sempre. As lágrimas tomaram conta dos bombeiros, acostumados a resgatar pessoas em acidentes graves, porém jamais viram alguém morrer cantando um hino, como no caso dos pastores Nelson Palmeiras e João Valadão.



Dois pastores e um motociclista morrem em acidente na Rodovia do Contorno - BR 101

Três pessoas morreram em um engavetamento entre sete veículos na Rodovia do Contorno - BR 101 - na Serra na manhã deste sábado (9). Cinco caminhões, um carro de passeio e uma moto se envolveram nas colisões

O motociclista e dois pastores da igreja Assembleia de Deus, que estavam em um veículo modelo Del Rey, morreram no local. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) o acidente aconteceu por volta das 8h20 no quilômetro 276.

O Del Rey era conduzido pelo pastor Dimas Cipriano, que sobreviveu e não sofreu ferimentos. Ele e outros três pastores seguiam de Alegre, Sul do Espírito Santo, para Nova Carapina II. O grupo participaria de um encontro da igreja. Um dos caminhões teria batido na traseira do veículo de passeio. O carro, assim como a moto, ficou destruído.

Os pastores Nelson Palmeira e José Valadão Souza morreram no local. Um outro pastor, Benedito Bispo, que também estava no Del Rey, foi socorrido em estado grave para o hospital Dórios Silva, na Serra. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação (Sesa), o quadro dele é estável. O motociclista foi identificado como Jonas Pereira da Silva.

Engarrafamentos de cerca de dois quilômetros se formaram nos dois sentidos da rodovia. Por volta das 10h a PRF liberou o sentido Serra-Cariacica, mas o tráfego de veículos segue lento enquanto são realizados os trabalhos do Corpo de Bombeiros e da perícia da Polícia Civil.

Fonte: Gazeta On Line (Jornal A Gazeta – Vitória, ES – sábado, 09/01/10)